A cada seis meses realizamos um comparativo com as versões atualizadas dos navegadores mais utilizados no Android. Desta vez, os escolhidos para a análise são Google Chrome, Mozilla Firefox em sua versão estável e beta, UC Browser e Opera. Sem que sirva de precedente incluímos o último beta do navegador da Mozilla, pois como vimos há alguns dias, a revolução do novo mecanismo que implementaram pode marcar uma enorme diferença a respeito do seu processador.

Desta vez, o dispositivo de testes foi um Huaweii P10 com Android 7.0 e EMUI 5.1, enquanto as versões para cada navegador foram Google Chrome 61.0.3163.98, Firefox 55.0.2, Firefox Beta 57.0, Opera 43.0.2246.121183 e UC Browser 11.4.6.1017. Os fatores a ter em conta são: Espaço em memória ocupado pelo aplicativo após sua instalação, o tempo de inicialização após sucessivas interações, a memória RAM consumida em execução, o desempenho a partir de diversos benchmarks e um fator subjetivo, mas igualmente importante como é sua usabilidade. Ficaram fora do comparativo as capacidades intrínsecas de cada um deles, já que este tipo de informação pode ser consultada facilmente no próprio site de cada desenvolvedor.

Espaço em memória

Embora cada vez seja maior o espaço de armazenamento disponível em qualquer dispositivo Android de gama média, continua sendo um importante valor a ter em conta em terminais de perfil baixo. Nesta sessão consideramos o tamanho do APK antes da instalação, o ocupado na memória após fazê-lo, assim como a quantidade de dados extras armazenados após realizar exatamente os mesmos testes em todos eles antes da instalação limpa dos mesmos.

  • Google Chrome: 168MB app + 15.43MB dados (44.54MB seu APK)
  • Opera Browser: 67.47MB app + 3.11MB dados (42.11MB seu APK)
  • Mozilla Firefox: 47.75MB app + 23.70MB dados (36.75MB seu APK)
  • Firefox Beta: 50.85MB app + 34.09MB dados (40.42MB seu APK)
  • UC Browser: 70.04MB app + 37.31MB dados(17.29MB seu APK)

Ganhador: O cliente estável do Firefox leva as palmas quanto à menor carga de dados em condições iguais, enquanto que Opera segue com seu eficiente sistema para evitar o acúmulo de dados adicionais ao usá-lo. Por outro lado, Chrome parece ter engordado o tamanho de seu aplicativo após instalado, embora dada a integração do mesmo com o sistema não possamos dar nenhum veredito a respeito disso sem ir mais fundo e monitorar cada elemento associado.

Tempo de inicialização

Outro fator de importância é o tempo de inicialização do aplicativo. Para comparar este fator, recorremos mais uma vez ao aplicativo gratuito para Android DiscoMark, que permite calcular o tempo médio que leva para abrir um aplicativo a partir de um número de interações definidas manualmente. Em nosso teste realizamos 25 ciclos de abertura para cada um deles após uma reinicialização total do sistema. Os resultados são os seguintes:

Google Chrome: 0.115s

Opera Browser: 0.113s

Mozilla Firefox: 0.122s

Firefox Beta: 0.110s

UC Browser: 0.146s

Ao utilizar um dispositivo de alta gama, os tempos de inicialização se reduzem consideravelmente e praticamente se equiparam, mas não se pode ocultar informação, o UC Browser ficou no fim da fila. Por mera curiosidade, realizamos esta análise num dispositivo totalmente defasado (Nexus 7 2013), e os resultados foram praticamente iguais aos de seis meses atrás: Chrome (0,451s), Opera Browser (0.515s), Mozilla Firefox (0.320s), Firefox Beta (0.301s) e UC Browser (0.551s). Firefox Beta sai na frente.

RAM Consumida

Evidentemente uma coisa é o espaço ocupado pelos processos em execução de um app e o próprio espaço ocupado por ele após sua instalação. Esta observação fora realizada a partir dos dados extraídos do próprio gerenciador de apps do Android e repetindo os mesmos elementos abertos em cada um dos navegadores. Isto é, uma página na home da Uptodown, outra da Wikipédia e outra em branco com o site de buscas do Google sem o login de usuário ativo. Para contrastar estes dados, utilizamos o útil aplicativo Simple System Monitor, capaz de manter uma tela aberta em tempo real enquanto realizamos as ditas aberturas de páginas e assim tomar nota dos dados em tempo real.

  • Google Chrome: 68.95MB em memória | 211MB em execução
  • Mozilla Firefox: 34MB em memória | 198.2MB em execução
  • Firefox Beta: 32.26MB em memória | 164.81MB em execução
  • Opera: 20.84MB em memória | 129.5MB em execução
  • UC Browser: 60.49MB em memória | 171.5MB em execução

Ganhador: cada navegador tem sua própria forma de gerenciar os serviços em segundo plano. UC Browser e Opera, sem ir mais além, têm uma infinidade de processos que flutuam quanto ao espaço ocupado, enquanto que Firefox (sim, Firefox), unifica toda a carga em um só processo. De fato, este último em sua versão beta aparenta ter reduzido seu volume e praticamente se convertido, junto ao Opera, no mais leve enquanto é executado.

Desempenho

Agora vamos entrar em matéria recorrendo a benchmarks que medem o desempenho de distintos protocolos e sistemas de renderização de tecnologias como JavaScript ou HTML5. Uma vez mais iremos utilizar JetStream, Kraken e HTML5Test como medidores de referência.

Jet Stream (maior pontuação é melhor)

  • Google Chrome: 51.400 +/-5.6151
  • Mozilla Firefox: 50.979 +/- 2.8790
  • Firefox Beta:55.387 +/- 0.79457
  • Opera Browser: 50.723 +/- 0.37260
  • UC Browser: Não finaliza

Kraken:

  • Google Chrome: 3665.0ms +/- 5.0%
  • Mozilla Firefox: 3592.2ms +/- 4.1%
  • Firefox Beta: 3225.8ms +/- 5.4%
  • Opera Browser:3715.9ms +/- 0.4%
  • UC Browser: Não finaliza

HTML5Test (pontuação máxima 555)

  • Google Chrome: 521
  • Mozilla Firefox: 478
  • Firefox Beta: 480
  • Opera Browser: 518
  • UC Browser: 438

Ganhador: Tal como esperávamos, Firefox Beta merece palmas nas três categorias, pelo que o motor de renderização, efetivamente, demonstra músculos na hora de renderizar. No mais, nenhuma novidade, com Chrome logo atrás em todos os testes e UC Browser cada vez mais abandonado.

Aparência e interface

O último dos fatores a medir é subjetivo e baseado principalmente nos gostos pessoais, embora ditas sensações sempre nos possam dar uma ideia aproximada do quanto uma interface está enxuta e a comodidade de manejo em situações de uso intensivo.

  • Google Chrome: Parece que o Chrome tem consolidado sua interface e não há sinais de que a coisa mude. É com ele que estamos mais familiarizados por ser a opção padrão na maioria dos dispositivos Android. Completo, fiel e totalmente integrado ao resto dos produtos da companhia. Para os que resistem a mudanças.

  • Firefox: Ao navegador da Mozilla fazia falta uma mudança com certa urgência, coisa que foi vista com uma mudança completa no Home principal a partir do beta 57.0. O canal estável que segue mantendo suas características cores e borda superior do buscador, o que não deixa de continuar sendo igualmente versátil e funcional.

  • Firefox Beta: Novidades por todos os lados, embora se alguém se puser para olhar os detalhes, verá que há muito mais semelhanças com os padrões instaurados por Chrome do que outra coisa, mesmo que sigam tentando dar uso aos mosaicos de ícones. Menção especial para a nova integração com Pocket que dará mais de uma alegria aos fiéis à Mozilla.

  • Opera Browser: Com um dos designs mais intuitivos e limpos dos presentes, Opera segue em sua mesma linha com uma interface que, embora não chegue à simplicidade do seu homônimo Mini, é parecido o suficiente para ser aproveitado tanto em telas grandes quanto pequenas, além de integrar de forma bastante inteligente as funções extras que incorpora.

  • UC Browser: Não vamos fazer demasiada lenha da árvore caída, mas UC Browser quase que inclui mais características em formas de acessos diretos a software externo e publicidade do que as próprias funcionalidades do navegador. Embora dedicando um tempo podemos eliminar todo este incômodo bloatware, o certo é que uma carta de apresentação assim não o faz muito bem, mesmo sendo baixado por milhões de usuários.

Conclusões

Uma vez mais é importante frisar que este comparativo não pretende destacar um claro vencedor, já que o uso pessoal é o que dita se é realmente útil para determinadas pessoas. Ainda assim, foi muito bom ter incluído o beta do Firefox 57, já que com ele a Mozilla conseguiu ficar frente a frente com o Chrome, ao menos no âmbito funcional e de eficiência. Já se foram os tempos de frases feitas como “É que o Firefox trava muito” e outros tópicos velhos. À Google não resta nada mais além de continuar otimizando seu navegador que nos últimos tempos reduziu consideravelmente sua voracidade consumindo recursos.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here